quinta-feira, março 03, 2005

HOTÉIS SEIS ESTRELAS

ATENDIMENTO

O fascínio das seis estrelas
Publicado em 03.03.2005

Luxo não basta nesses hotéis que superam os antigos topo de linha cinco estrelas. A ordem é impressionar, esbanjar. Quem não pode dá uma espiada

KAREN ABREU E VIVIAN ZANATTA
Agência Estado

Em lugares famosos pela beleza natural incontestável, some hotéis que esbanjam detalhes que fazem pasmar qualquer mortal – como torneiras de ouro e controle remoto que monitora a chegada de visitantes, abrindo a porta do quarto para eles. Se os “pormenores” são assim, imagine a arquitetura desses complexos.

São grandiosas construções que, por vezes baseadas em fábulas e mitos, imitam um castelo ou palácio real. Junte ainda tarifas exorbitantes e uma boa jogada de marketing. Pronto: você acaba de ser apresentado ao mundo dos auto-intitulados hotéis seis-estrelas, caso dos faladíssimos The Palace, na África do Sul, e Burj al Arab, nos Emirados Árabes.

“Esse é um modismo que vem se espalhando, mas não tem respaldo técnico”, afirma o hoteleiro Eraldo Alvez Cruz, da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH). “E por não haver critérios que definam o que seria um seis estrelas é que esses hotéis abusam da denominação.”

Para o presidente da consultoria hoteleira BSH International, José Ernesto Marino Neto, os autoproclamados seis-estrelas não superam hotéis como o Peninsula, Kempinski, Four Seasons, Mandarin Oriental, Orient Express, St-Regis e Ritz Carlton, classificados como de categoria luxo. “E todos eles oferecem o máximo em personalização, sofisticação e serviços”, explica ele.

A moda começou na África do Sul, em Sun City, onde foi criado o The Palace of the Lost City, ou Palácio da Cidade Perdida, complexo que une construções suntuosas a um verdadeiro paraíso do entretenimento – e com alguns excessos decorativos, naturalmente.

A idéia era dar ao turista o que ele não encontra em outros hotéis do mundo, ou seja, um tratamento superior ao oferecido nos meios de hospedagem de padrão cinco-estrelas. A estratégia deu certo. Poucos se esquecem das muitas facilidades e da ostentação vistas por lá. “O objetivo do The Palace é provocar algum tipo de emoção”, diz a apaixonada por viagens Valentina Fioravante Ventura Silva, de 51 anos. “Quando se entra no saguão principal, depara-se com um pé-direito gigantesco. Seria impossível não se abalar com tamanha luxuosidade”, atesta.

O luxo continua nos 388 quartos e 4 suítes mobiliadas em estilo africano contemporâneo. Passa pelos restaurantes Crystal Court e Villa del Palazzo – ambos de gastronomia requintada – e vai até o Tusk Bar, para um drinque mais descontraído. “Tudo tem o jeito americano, lembrando um pouco a Disney e a agitação de Las Vegas”, explica Valentina. “É um luxo espalhafatoso, muito artificial. Um verdadeiro excesso”, resume ela. Atração turística em Sun City, o The Palace vive às voltas com curiosos, que passam por lá somente para conhecê-lo, mas não ficam hospedados sequer por uma noite.

Em estilo completamente diferente de seu contemporâneo, o Mala Mala Game Reserve – estabelecido na província de Mpumalanga, no Parque Nacional Kruger – é outro reduto caro e exclusivo. Comporta, no máximo, 50 hóspedes em suas acomodações, todas aconchegantes e ricas em beleza natural. Como parte de sua programação, o lodge oferece safáris de jipe e um inesquecível jantar em volta da fogueira, servido ao som de batucadas étnicas e sob a luz das estrelas.
O Hotel Atlantis, na ensolarada Nassau, nas Bahamas, fecha o clube dos seis-estrelas. Acostumado a receber popstars do porte de Madonna, sua arquitetura e decoração são inspiradas no mito de Atlântida, a cidade supostamente perdida no fundo do mar. Tudo é grandioso. O cassino tem 80 mesas de jogos e mil máquinas caça-níqueis. Para deleite dos hóspedes, há 35 bares e restaurantes. Na parte de lazer, chama a atenção o aquário gigante com 50 mil peixes. No spa, além de massagens e tratamentos estéticos, é possível até fazer clareamento dos dentes.

Exibindo um luxo dispendioso – ou não –, essas mecas do entretenimento e do esnobismo vão continuar dando o que falar.

ATENDIMENTO II

Simplesmente um LUXO
Publicado em 03.03.2005

Personalização e mimos de toda sorte ajudam a justificar a ida a um seis-estrelasLas Vegas sul-africana, réplica do set de filmagem de As Minas do Rei Salomão, kitsch, espalhafatoso. Mas também divertido, sensacional... Atribuindo adjetivos bons e outros nem tanto, nenhum hóspede passa incólume ao The Palace of the Lost City, megahotel temático em Sun City, na África do Sul, que fez fama mundial se autoproclamando seis-estrelas.

Construído de acordo com a estrutura de um imenso palácio, o hotel tem mesmo uma arquitetura que impressiona. Na entrada, há uma praça com palmeiras, fonte, colunas altíssimas e esculturas de leopardos fazendo as vezes de guardiães. No lobby, destaque para a cúpula de 25 metros de altura, toda pintada. Para a hospedagem, há 338 apartamentos com camas king size e decoração em estilo africano, além de dois restaurantes, lounge e snack bar.

A diversão tem vez no centro de lazer, onde está o Valley of Waves (Vale das Ondas), uma piscina em que é possível surfar em ondas com 1,8 metro de altura. Em outro espaço, o Waterworld (Mundo da Água), há um grande lago, próprio para a prática de esportes como o windsurfe, esqui aquático e diversas outras atividades. Descansar ou tomar sol na minipraia ou apostar umas fichas no cassino são outras opções garantidas de entretenimento. Cansou das atividades “urbanas”? Pois o The Palace, erguido em 1992, também providenciou atrações de outros gêneros. Cercando o hotel há uma floresta, onde são realizadas trilhas. Uma visita à fazenda de animais também pode constar no programa.

O The Palace é o epicentro do milionário complexo Sun City, localizado a 187 quilômetros de Johannesburgo e conhecido no país como a cidade que não dorme nunca.

Investimento do ricaço sul-africano de origem russa Sol Kerzner, Sun City oferece ainda teatro, cinema, um aviário com espécies raras do continente africano, uma colônia de jacarés, campos de golfe, dúzias de cascatas, jardim botânico, um shopping com 7 mil metros quadrados de área e até ônibus circulando pelas ruas, entre outros serviços.

ATENDIMENTO III

No Burj al Arab, em Dubai, tudo o que reluz é mesmo banhado a ouro
Publicado em 03.03.2005

Com formato de um grandessíssimo veleiro ancorado (321 metros de altura), fonte em vários níveis soltando jatos d’água numa coreografia sincronizada e iluminada, além de aquários gigantes, o hotel Burj al Arab – em Dubai, capital dos Emirados Árabes – é com certeza, a maior atração da cidade.

A fachada, com muito vidro e estruturas metálicas na cor branca, contrasta com o interior do hotel, repleto de dourado. É dourado nos mosaicos dos pisos e das paredes, nas molduras de quadros e elevadores, nos objetos decorativos... E, pasmem, tudo o que reluz é mesmo banhado a ouro! Um dos motivos para sua fama mundial é justamente ostentar peças e mais peças banhadas a ouro de verdade.

O Burj al Arab tem 202 suítes, todas com janela tipo panorâmica, que oferecem ampla vista para Jumeira Beach, a praia dos milionários de Dubai. As acomodações também têm laptop com acesso à internet e até um controle remoto de televisor que monitora a chegada de visitantes à suíte e abre a porta para eles.

E não é só isso: o estabelecimento fica numa ilha artificial, a 280 metros do continente. Sua construção, diga-se, custou “apenas” US$ 6 bilhões.

A socialite e designer de jóias Adriana Bittencourt, 32 anos, que já passou pelo Burj al Arab duas vezes, conta que, logo no hall, o hóspede se depara com uma fonte em degraus, cujos jatos d’água fazem uma coreografia sincronizada com luzes coloridas. De cada lado, aquários altíssimos fazem as vezes de parede. "O hotel tem uma decoração carregada, porém cultural, o que é próprio dos árabes", diz ela.

ATENDIMENTO IV

Atendimento personalizado para aproveitar os safáris no Mala Mala
Publicado em 03.03.2005

Com um povo e uma cultura vibrantes, música contagiante, artesanato variado e fauna riquíssima, a África do Sul faz parte da lista de lugares que os viajantes de bom gosto gostariam de conhecer. Mas o fato é que nem todos que se dirigem às savanas têm espírito de Indiana Jones.

Muitos querem, sim, encontrar o Big Five – grupo de elite dos animais, que inclui búfalo, elefante, leão, leopardo e rinoceronte – durante um safári, mas também almejam um banho de espuma depois da aventura e um jantar sofisticado.

Uma escolha certeira é o Mala Mala Game Reserve (o nome vem de um antílope africano), na província de Mpumalanga. Seu serviço é personalizado: há três funcionários para cada hóspede. Rústico e totalmente integrado à savana africana – seja em termos arquitetônicos, com espaçosos bangalôs recobertos de sapé, seja na decoração, que inclui, por exemplo, banquetas de patas de elefante –, o lodge prova que um empreendimento não precisa ser espalhafatoso para mostrar requinte.

No máximo 50 pessoas ocupam o lugar simultaneamente, hospedados em acampamentos. O principal é o Mala Mala, nos arredores do Rio Sand, que tem 25 quartos e suítes com ar-condicionado e tela contra inseto. De quebra, oferecem uma vista espetacular da natureza. Já o acampamento The Sable reabrirá em janeiro. Todo reformado, terá capacidade para abrigar até 14 hóspedes em cinco suítes.

No jantar, sob a luz das estrelas, a refeição é servida numa boma (cercado de bambu ao ar livre). Em outros tempos, essa estrutura era usada nos antigos safáris para proteger os caçadores dos animais da savana. Completam a atmosfera uma fogueira e a cantoria de grupos locais.

ATENDIMENTO V

E a Atlântida, quem diria, emerge mesmo é nas ilhas do Caribe
Publicado em 03.03.2005

No Caribe, a dobradinha sol-praias paradisíacas costuma atrair à região milhares e milhares de turistas. Nas Bahamas, há ainda um terceiro item que também ajuda a levar um bocado de gente à ilha: o Hotel Atlantis, emoldurado pelo mar turquesa de Paradise Island, a mais badalada praia de Nassau, a capital do arquipélago.

A estrutura do Atlantis é tamanha, e tão completa, que muitos consideram que, além das praias, o hotel é o principal atrativo de Nassau. Envolto em todo esse glamour, o complexo leva a fama de ser um dos resorts mais caros do Caribe, recebendo famosos como a cantora Madonna.

Temático, o empreendimento é inspirado na lendária cidade perdida de Atlântida, como mostram as pinturas, estátuas, murais, fontes e outros adornos. Uma vez feito o check-in, tem início a difícil tarefa de escolher onde começar a diversão. Afinal, o Atlantis tem um cassino com 80 mesas de jogos, mil máquinas de caça-níqueis e 11 áreas com piscinas.

Praticantes de golfe e aqueles que quiserem dar suas primeiras tacadas encontram um belíssimo campo de 18 buracos. Compras podem ser feitas nas lojas do hotel – trabalhando no esquema duty free, os estabelecimentos não cobram impostos sobre os produtos comercializados. Quem só está a fim de curtir o sol, o céu e o Mar do Caribe deve seguir para a praia. Limpíssima, organizadíssima, oferece aos hóspedes cadeira, guarda-sol e toalhas.

A comilança rola solta nos 35 bares e restaurantes do Atlantis, que atendem ao gosto dos hóspedes-gourmets, dos que adoram devorar um bom hambúrguer com fritas, aos que só querem fazer uma refeição leve e rápida...

Outra opção de passeio é o aquário gigante, que reúne 50 mil peixes de 200 espécies e até um tanque de tubarões. Com um compartimento isolado no meio, o tanque permite aos hóspedes deslizar de bóia e passar pertinho das feras.

Momentos dignos de príncipe e princesa estão garantidos no Mandara Spa. Além de um salão de beleza com toda a sorte de massagens e tratamentos faciais e corporais, o Mandara oferece clareamento de dentes, gralas a profissionais especializados que cobram US$ 199 por uma sessão de 40 minutos, fora as taxas.

O público infantil também não foi esquecido. Para os baixinhos de 4 a 12 anos, há o Discovery Channel Camp, que promove atividades como caça ao tesouro e observação de estrelas por um telescópio e de microorganismos num microscópio. Nos computadores, as crianças se divertem – mas como aprender é o grande barato, elas também descobrem tudo sobre a vida marinha.

Fonte: JC - Caderno de Turismo - 03.03.05